Nós não temos que satisfazer a demanda da favela’’
Em 2011, o problema da participação abaixo do padrão já tinha sido apontado: planos de ação pré estabelecidos, carência de responsabilidade, carência de transparência, participação mínima dos moradores, etc. Um ano depois, a avaliação não tinha mudado: a participação efetiva ainda não estava acontecendo.
Além do mais, depois de três anos de programa, ainda era difícil encontrar moradores que soubessem o que era a UPP Social e o que fazia.
Uma das respostas típicas que recebemos nas entrevistas, ao entrevistar aos moradores, foi a do Tiago, morador de 24 anos da Babilônia, que morava na comunidade havia 11 anos: ‘’Não vou mentir, não tenho a menor ideia do que seja’’.
Muitos tiveram muito pouco contato, se é que tiveram, com os trabalhadores locais do programa, que supostamente deviam encontrar as demandas da comunidade e apoiar os esforços das organizações e mobilizações locais.
‘’Para dizer a verdade, não sei o que é a UPP Social ou o que é que eles fazem. Não são a polícia, né?’’, perguntou Matteus de Souza, um entregador de 21 anos que trabalha e mora no Cerro-Corá.
Se normalmente é claro quem são os policiais da UPP e qual é sua missão, o mesmo não pode se aplicar para a UPP Social. Alguns moradores achavam que se refere aos esforços dos policiais da UPP para se aproximar da população e estabelecerrelações amistosas entre a polícia e os civis. Outros achavam que se referia aos projetos sociais executados pela própria polícia.
‘’Para mim não é claro o que é que eles fazem. Quero dizer, sei que tem algo a ver com os projetos sociais na comunidade, mas só sei isso’’, disse Maria Antônia, 54, que se mudou de Saquarema para o Andaraí (pacificada em julho de 2010 e não muito longe do estádio do Maracanã) há 17 anos.
Seu ceticismo sobre a vontade do governo de escutar realmente e considerar as sugestões dos moradores pode ser explicado pelas decepções no passado: “É assim: você vai num encontro primeiro, muito entusiasmado, se esforça para participar. Não é fácil dizer o que pensamos em público, sabe? E você vê que nada do que falou lá importou realmente. Depois vai para outro encontro, com uma nova equipe que diz que é diferente, que eles estão aqui para escutar de verdade, mas e depois? O resultado é o mesmo. Nada é feito
Upp tornou sinônimo de morte de inocentes.



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